O zine busca ser um reencontro do público com a litografia, apresentando de forma breve a história dessa mídia gráfica que carrega memórias e impressões únicas. Ele nasce como um impresso litográfico original — um blueprint, uma matriz-conceito — que orienta e legitima as cópias subsequentes reproduzidas por fotocópia, possibilitando assim sua circulação em massa.No verso, o zine apresenta a xilografia, destacando as tensões dicotômicas entre essas duas práticas gráficas: a litografia, com seu processo complexo e custo elevado, e a xilografia, cuja execução é mais acessível e direta para o artista. Essa xilografia é apresentada em uma matriz não convencional, feita de papelão e goma eva, evidenciando a capacidade dessa técnica de existir além dos seus materiais tradicionais. Essa plasticidade reforça a acessibilidade e a experimentação, ampliando as possibilidades de criação gráfica para além dos limites tradicionais.Essa estratégia tensiona a lógica de valor e acesso: enquanto a litografia original é um objeto caro e restrito, a fotocópia atua como um meio democrático, que expande o alcance e possibilita que a arte chegue a mais mãos e olhos. O zine reafirma, assim, a potência da imagem impressa como veículo de resistência, materialidade e poesia.
This zine seeks to reconnect the audience with lithography, briefly presenting the history of this graphic medium that carries unique memories and impressions. It is born as an original lithographic print—a blueprint, a concept-matrix—that guides and legitimizes subsequent photocopied reproductions, thus enabling mass circulation.On the back, the zine features woodcut printmaking, highlighting the dichotomous tensions between these two graphic practices: lithography, with its complex process and high cost, and woodcut, which is more accessible and direct for the artist. This woodcut is presented on an unconventional matrix made of cardboard and EVA foam, emphasizing the technique’s ability to exist beyond traditional materials. This plasticity reinforces accessibility and experimentation, broadening the possibilities for graphic creation beyond traditional limits.This strategy challenges the logic of value and access: while the original lithograph is an expensive and restricted object, the photocopy acts as a democratic medium, expanding reach and enabling the art to touch more hands and eyes. The zine thus reaffirms the power of the printed image as a vehicle of resistance, materiality, and poetry.
Trini Opelt é artista gráfica argentina radicada na Bahia desde 2011. Cresceu em um ambiente imerso em arte, com uma mãe professora de Belas Artes que desde cedo a convidava a criar matrizes xilográficas e a cincelar mármore, moldando uma educação artística orgânica e familiar.Em 2013, Trini ingressou na Escola de Arte Lina Bo Bardi do MAM Bahia, onde passou a ser tutorada em litografia pelo professor Renato Fonseca, formado pelo Parque Lage do Rio de Janeiro. Sua trajetória é marcada por uma curiosidade incessante, que a impulsiona a experimentar diferentes formatos, com destaque para a colagem e as mídias de impressão gráfica.O fascínio pelos fanzines veio ainda na adolescência, motivado pela potência da materialização independente e autônoma de uma revista, que reflete sua busca por formas alternativas de expressão e difusão artística.Após um período de pausa em sua produção artística, Trini retoma agora seu trabalho com renovado entusiasmo, trazendo novas perspectivas e profundidade à sua pesquisa e criação.
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